sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Porque me olhas
se não me vês?
Porque prolongas o teu olhar no meu
se nada significo para ti?
Porque brilha o teu olhar quando olhas para mim
se não me deixas ser a tua estrela?
Porque permites que o teu olhar invada o mais profundo do meu ser
se não queres preencher o meu coração?
Para quê dizer
o que tu já sabes?
Para quê explicar
o que tu já percebeste?
Para quê olhar-te
se tu não me vês?
Para quê sentir-te
se não estás aqui?
Para quê pensar em ti
dado que não me conheces verdadeiramente?
Para quê falar-te
se a minha voz nao te embala?
Vi-te, não mais te esqueci.
Desculpa, não foi a ti que vi,
foi ao teu olhar, olhar que entrou pela sala
e que me invadiu a alma.
Fiquei baralhada.
Quando ias a entrar, ia a sair.
Mais tarde entrei, tu saiste.
Lembro-me bem.
Como me posso esquecer?
Passado alguns dias, vi-te novamente.
Mais um olhar,
mais um bater confuso no coração.
Não percebi,
ainda não percebo.
Continuei a ver-te,
mais algumas vezes.
Sempre esse olhar,
melancólico mas seguro.
Não sei explicá-lo,
nem sei entende-lo, mas sei que me cativa.
Esse teu olhar, esse teu fenomenal olhar.